Foto: Flavio Tavares / O TEMPO

Especialistas em meteorologia e autoridades de saúde acompanham a evolução do fenômeno El Niño, que poderá atingir intensidade excepcional entre os meses de outubro e dezembro deste ano. Caso as previsões se confirmem, o Brasil poderá enfrentar impactos significativos no clima, principalmente na Região Sul, além de possíveis reflexos na saúde pública.

De acordo com projeções da MetSul Meteorologia, os efeitos do fenômeno devem se intensificar ao longo do segundo semestre. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) já confirmou a consolidação do El Niño no Oceano Pacífico e estima em 81% a probabilidade de que o evento alcance a classificação de Super El Niño.

Segundo os especialistas, as anomalias na temperatura da superfície do Pacífico Centro-Leste podem variar entre 3°C e 4°C acima da média. Se isso ocorrer, o episódio poderá figurar entre os mais intensos já registrados desde o início das medições.

Sul deve concentrar os maiores impactos

Os estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná são apontados como as áreas mais suscetíveis aos efeitos do fenômeno. A expectativa é de aumento expressivo no volume de chuvas, favorecendo enchentes, cheias de rios, alagamentos e prejuízos para a agricultura e a infraestrutura urbana.

Mesmo antes do período previsto para o pico do El Niño, o Sul já registra temporais frequentes, enquanto outras regiões do país enfrentam alterações na distribuição das chuvas em razão de bloqueios atmosféricos.

Meteorologistas também alertam para a possibilidade de tempestades severas, acompanhadas de granizo, rajadas intensas de vento, descargas elétricas e, em situações mais extremas, tornados e microexplosões atmosféricas.

Outro aspecto observado pelos especialistas é a velocidade de desenvolvimento do fenômeno. A temperatura das águas do Pacífico já apresenta anomalia próxima de 2°C ainda na metade do ano, índice que, em eventos históricos como os registrados em 1982, 1997 e 2023, foi observado apenas no fim do ano.

Saúde pública em atenção

Além dos efeitos climáticos, o avanço do El Niño também preocupa autoridades sanitárias. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) avalia que a combinação entre temperaturas mais elevadas e aumento das chuvas favorece a proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, chikungunya e zika.

Diante desse cenário, o Ministério da Saúde encaminhou uma nota técnica aos estados e municípios orientando o fortalecimento das ações de vigilância, eliminação de criadouros e monitoramento epidemiológico.

As projeções do sistema InfoDengue, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), indicam que, caso as condições climáticas previstas se confirmem e as medidas preventivas não sejam ampliadas, o Brasil poderá registrar cerca de 1,7 milhão de casos de dengue em 2027.

Especialistas destacam que o acompanhamento das previsões meteorológicas e a adoção de medidas preventivas, tanto para reduzir os impactos das chuvas quanto para combater o mosquito transmissor da dengue, serão fundamentais nos próximos meses.

Fonte: Diário do Comércio.