O encerramento do abastecimento de água por carros-pipa em municípios do leste de Minas Gerais provocou protestos e o bloqueio de um trecho da linha férrea na região do Rio Doce, na tarde deste domingo (1º de fevereiro). A manifestação ocorreu após o anúncio da retomada da captação de água diretamente do manancial.
De acordo com informações apuradas, moradores de localidades como Itueta e Resplendor se mobilizaram em protesto contra o fim da operação emergencial, adotada após o rompimento da barragem de Fundão, em 2015. A população alega insegurança quanto à qualidade da água captada no rio e cobra garantias sobre o abastecimento.
Interrupção do transporte ferroviário
Durante o protesto, manifestantes bloquearam a ferrovia, o que resultou na interrupção da circulação de um trem de passageiros que transportava cerca de 700 pessoas no momento do bloqueio. Para evitar que os passageiros permanecessem retidos, a Vale organizou uma operação emergencial e disponibilizou ônibus, permitindo que a viagem fosse concluída pela estrada.
Retomada da captação e reação da população
A Samarco informou que a captação no Rio Doce foi retomada após a implantação de sistemas de tratamento e monitoramento da qualidade da água. Mesmo assim, moradores relatam falta de diálogo e afirmam que muitas famílias ainda dependem exclusivamente do fornecimento por caminhões-pipa, principalmente em áreas rurais.
Contexto ambiental
O Rio Doce foi severamente impactado pelo desastre ambiental de 2015, considerado um dos maiores do país. Desde então, comunidades ribeirinhas convivem com restrições no uso da água e com medidas emergenciais de abastecimento. Apesar de relatórios técnicos indicarem avanços na recuperação do manancial, parte da população segue desconfiada quanto ao consumo da água.
Até o momento, não foram divulgadas informações detalhadas por parte das autoridades locais sobre alternativas permanentes de abastecimento ou cronograma de transição para o fim definitivo dos carros-pipa.





