Após mais de duas décadas dedicadas à pesquisa científica, a bióloga brasileira Tatiana Coelho de Sampaio alcançou projeção internacional ao liderar um estudo inovador sobre lesões na medula espinhal. Professora do Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ela coordena o desenvolvimento da polilaminina, uma molécula experimental que abre novas perspectivas de tratamento para pessoas com paraplegia e tetraplegia decorrentes de acidentes.
A substância é uma versão produzida em laboratório da laminina, proteína fundamental no desenvolvimento embrionário responsável por orientar a comunicação entre os neurônios. Desenvolvida a partir de proteínas extraídas da placenta humana, a polilaminina pode ser aplicada diretamente na região lesionada da medula espinhal, favorecendo a regeneração dos circuitos nervosos e possibilitando a recuperação de funções motoras comprometidas.
Mesmo ainda em fase experimental, os resultados iniciais têm despertado atenção da comunidade científica. Casos recentes incluem pacientes que relataram retomada parcial de movimentos e sensibilidade após a aplicação — um cenário considerado improvável pela medicina convencional.
Um dos casos mais recentes envolve Luiz Otávio Santos Nunez, de 19 anos, que se tornou o paciente mais jovem do país a receber polilaminina. Ele ficou tetraplégico após um disparo de arma de fogo em outubro de 2025 e, por autorização judicial, recebeu a substância em 21 de janeiro de 2026 no Hospital Militar de Campo Grande (MS).
Doze dias após o procedimento, Luiz relatou que conseguiu movimentar a ponta de um dos dedos da mão, algo que não conseguia antes, e percebeu atividade nos nervos das pernas, ainda que de forma incipiente. Ele também segue com sessões de fisioterapia para apoiar a recuperação funcional.
O jovem e sua família expressaram esperança diante das primeiras respostas ao tratamento, apesar de médicos e pesquisadores destacarem que a aplicação ocorreu fora da janela terapêutica originalmente prevista nos protocolos da pesquisa — que recomendam atuação nas primeiras 72 horas após a lesão para melhores resultados.
O projeto é desenvolvido em parceria com o laboratório brasileiro Cristália e já conta com investimentos para avançar nas próximas etapas. O objetivo agora é obter autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para ampliar os estudos clínicos e avaliar, em maior escala, a segurança e a eficácia da terapia.
Embora ainda não esteja disponível ao público, a pesquisa coordenada por Tatiana Sampaio representa um avanço relevante na busca por tratamentos capazes de reverter danos na medula espinhal, reacendendo a expectativa de milhares de pessoas que convivem com algum grau de paralisia.





