O dia 27 de fevereiro de 2022 entrou para a história recente de João Monlevade. Naquele domingo, a cidade recebeu a visita de uma comitiva luxemburguesa, que veio conhecer de perto a cidade que por muito tempo, foi um elo entre a cidade e Luxemburgo, quando em meados de 1935, Louis Ensch passou a administrar uma nova planta industrial em João Monlevade, que veio a se tornar um dos polos econômicos anos mais tarde. A data é histórica não apenas pela visita da comitiva luxemburguesa, mas também pelo lançamento oficial de um documentário, que ampliou o resgate da memória que une o município mineiro ao país europeu, como também a própria história do município.
A presença da delegação estrangeira consolidou simbolicamente o elo histórico representado por Louis Ensch, falecido em 1953, cuja atuação à frente da Belgo-Mineira, na década de 1930, foi determinante para o desenvolvimento industrial da cidade. Seu legado mantém-se como um dos principais pontos de conexão entre João Monlevade e Luxemburgo.
Lançamento do documentário transmídia
A data celebrou o lançamento do projeto audiovisual A Colônia Luxemburguesa, disponível na internet. O documentário produzido pela Samsa Film pelo produtor Bernard Michaux e dirigido pela historiadora Dominique Santana reúne vídeos, entrevistas, registros em áudio, recortes de jornais, cartas e fotografias históricas que detalham o processo de formação da cidade histórica.
A produção conduz o espectador ao período em que uma pequena vila crescia ao redor de uma fábrica de aço, instalada em meio à Mata Atlântica, distante do litoral e situada no interior de Minas Gerais. À época, o cenário despertava curiosidade e surpresa entre estrangeiros que chegavam à região para atuar na usina siderúrgica.
O contexto histórico remonta à iniciativa do geólogo Jean Monlevade, anos antes, cuja atuação deu origem à antiga fazenda de forjaria que fundamentou a produção de ferro na região e, posteriormente, à consolidação do município.

Pesquisa histórica e aproximação cultural
A reaproximação institucional no século 21 teve contribuição decisiva de Dominique Santana, responsável por reunir vasta documentação histórica que embasou estudos sobre a presença luxemburguesa no Brasil. O trabalho permitiu reconstruir, com profundidade, a formação colonial ligada a Luxemburgo e ampliar o conhecimento local sobre essa herança.
A programação de 27 de fevereiro incluiu um café no Floresta Clube Dr. Henri Meyers, visitas à usina da ArcelorMittal (antiga Belgo-Mineira), à Fazenda Solar, ao Cemitério Histórico, Estádio Louis Ensch e a outros marcos do patrimônio histórico da cidade.
A agenda integrou as ações preparatórias para o projeto [L]Aço e antecedeu a oficialização da geminação com a cidade luxemburguesa Esch-sur-Alzette, fortalecendo os vínculos culturais e institucionais entre as duas localidades.
Quatro anos depois, o episódio permanece como marco na valorização da memória industrial e na consolidação da cooperação internacional construída ao longo de mais de um século.










