A Associação das Profissionais Empregadas Domésticas e Lavadeiras de João Monlevade (APDL) inaugurou, na quarta-feira (10), a reforma de sua sede, localizada na rua Ricardo Leite, no bairro Carneirinhos. As melhorias foram realizadas por meio de convênio com a Prefeitura de João Monlevade, utilizando recursos públicos destinados à revitalização do espaço.
Além das intervenções estruturais e da nova pintura, a sede passou a se chamar oficialmente Espaço Dona Preta, em homenagem a Marina Eugênia de Souza, uma das fundadoras da entidade e referência na luta pelos direitos das trabalhadoras domésticas, das mulheres e das comunidades populares do município.
A cerimônia reuniu mais de 50 pessoas, entre representantes da sociedade civil, integrantes de grupos de convivência, autoridades municipais, amigos e familiares da homenageada.
Durante o evento, o prefeito Dr. Laércio Ribeiro destacou a importância de Dona Preta para a história de João Monlevade e relembrou sua influência em sua trajetória política.
Segundo ele, Dona Preta dedicou a vida à defesa dos direitos das trabalhadoras domésticas, das lavadeiras, das mulheres e das pessoas em situação de vulnerabilidade, além de ter sido uma das incentivadoras de sua primeira candidatura à Prefeitura.
A secretária municipal de Assistência Social, Rita de Cássia Souza, ressaltou que a reforma representa não apenas melhorias na estrutura física, mas também o reconhecimento do trabalho desenvolvido pela associação ao longo dos anos.
Fundada para promover a valorização das profissionais empregadas domésticas e lavadeiras, a APDL atua oferecendo apoio, orientação e fortalecimento da organização da categoria. A homenagem eterniza a contribuição de Dona Preta para a criação e consolidação da entidade.
Legado de luta e representatividade
Natural de Alvinópolis, Marina Eugênia de Souza chegou a João Monlevade na década de 1960. Casada com José Raimundo Pena Forte de Souza e mãe de nove filhos, teve forte atuação comunitária, especialmente no bairro de Lourdes, onde ajudou a fundar o Centro Comunitário.
Engajada em movimentos populares, na Igreja Católica, em grupos de mulheres e nas lutas dos trabalhadores metalúrgicos, Dona Preta fez história ao se tornar a primeira empregada doméstica eleita vereadora no Brasil, exercendo mandato entre 1989 e 1992 pelo Partido dos Trabalhadores (PT).
Durante sua atuação parlamentar, defendeu pautas ligadas aos direitos das mulheres, dos trabalhadores e das pessoas com deficiência. Também participou da criação do Conselho da Mulher, da Lavanderia Comunitária e da própria Associação das Profissionais Domésticas e Lavadeiras de João Monlevade.
Falecida em 2017, Dona Preta permanece como símbolo de inclusão, participação popular e defesa dos direitos sociais no município.


