A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, que embasou a nova fase da Operação Sem Desconto, realizada nesta terça-feira, aponta que a deputada federal Maria Gorete Pereira (MDB-CE) teria recebido diversos pagamentos de associações acusadas de aplicar descontos ilegais em aposentadorias e pensões pagas pelo INSS.

Ela é apontada como uma facilitadora do esquema. O nome da deputada é citado pela Polícia Federal em uma planilha de supostos pagamentos de propina. A investigação também identificou movimentações financeiras consideradas suspeitas. Segundo o documento, mensagens trocadas entre integrantes do grupo mostram a participação recorrente da parlamentar nas tratativas do esquema. Em uma dessas evidências, o nome de Maria Gorete aparece expressamente em tabela de pagamento de propina, e ao lado do seu nome aparece a quantia de R$ 780.433,50.

A decisão afirma ainda que Gorete era frequentemente mencionada nas conversas entre a Cecília Rodrigues Mota, ex-presidente da Associação dos Aposentados e Pensionistas Nacional e da Associação dos Aposentados e Pensionistas do Brasil e Natjo de Lima Pinheiro, empresário do setor de saúde e apontado pela Justiça como um dos principais operadores do esquema. Ambos foram presos na operação desta terça-feira.

De acordo com a investigação, a deputada atuava para viabilizar o funcionamento dessas associações, que eram utilizadas para incluir aposentados e pensionistas sem autorização, permitindo a cobrança automática de valores. Nesse contexto, ela “utilizava influência política para viabilizar acordos com o INSS” e pressionava servidores para acelerar procedimentos administrativos.