Ascom PMJM

A Fundação Casa de Cultura de João Monlevade deverá contar com cerca de R$1,2 milhão a menos no orçamento neste ano, em comparação ao exercício anterior. Reduções ocorrem em todas as secretarias, em virtude de remanejamento orçamentário do governo municipal, conforme anunciado no ano passado. Porém, a redução na Casa de Cultura ocorre quando eventos e ações culturais ganham destaque como opções de instrumentos econômicos importantes, especialmente, diante das mudanças trazidas pela Reforma Tributária. A nova medida prioriza o consumo como base de arrecadação tributária municipal.

A transição da Reforma Tributária, iniciada pela Emenda Constitucional nº 132/2023 e prevista para ocorrer entre 2026 e 2033, altera a lógica da arrecadação no Brasil. Com a migração da tributação da produção para o consumo, cidades capazes de atrair visitantes e estimular circulação de renda em seus territórios podem ampliar sua participação no bolo tributário.

Os efeitos já se refletem em dados nacionais, a partir do carnaval de 2026, que movimentou cerca de R$13 bilhões na economia brasileira. Na capital mineira, onde o carnaval ganhou força nos últimos anos, estima-se que a festa também impactou significativamente o setor de turismo e serviços. A projeção é de mais de R$1 bilhão em movimentação econômica durante o período carnavalesco.

No contexto regional, cidades como São Gonçalo do Rio Abaixo, Barão de Cocais, Bela Vista de Minas, Nova Era e São Domingos do Prata, por exemplo, também têm apostado em calendários culturais e de eventos para atrair público regional, estimular a circulação de renda e dinamizar suas economias locais. O carnaval nessas cidades atraiu foliões de vários municípios. Neste cenário, a redução de recursos para a área da cultura em João Monlevade, justamente em um ano de forte impacto econômico, pode comprometer não apenas a oferta cultural da cidade, mas também o potencial de geração de renda e circulação econômica em diversos setores.

A diretora presidente da Fundação Casa de Cultura, Nadja Lírio, alertou sobre isso, afirmando que o calendário de ações, como em anos anteriores, pode ficar comprometido. Diante dessa realidade, o debate sobre planejamento e investimentos em cultura e eventos segue em evidência.