Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O projeto de lei com o índice de reajuste para servidores públicos de Minas Gerais ainda não chegou na Assembleia Legislativa de Minas Gerais. O aumento de 5,4% foi anunciado pelo governador Romeu Zema (Novo) nas redes sociais na última segunda, mas a proposta ainda precisa ser formalizada e aprovada pelo Legislativo para entrar em vigor.

A demora aperta o calendário para que sindicatos e trabalhadores façam pressão nos deputados estatais em busca de um aumento salarial maior. Depois de 4 de abril, a lei eleitoral restringe reajustes à recomposição de perdas inflacionárias. Procurado, o governo informou apenas que o texto será encaminhado “ainda neste mês”, sem detalhar uma data. Enquanto isso, nos corredores da Assembleia, a avaliação é que o calendário político pode estar por trás da demora.

Nos bastidores, parlamentares acreditam que o governo prepara uma espécie de “dobradinha política”. Zema levantou a bola, mas quem deve finalizar a jogada e assinar o reajuste é o vice-governador Mateus Simões (PSD), apontado como candidato do governador à sucessão no Palácio Tiradentes. Simões deve assumir o governo em 22 de março, quando Zema pretende deixar o cargo para disputar a Presidência da República. Para os servidores e sindicatos, no entanto, fica um ponto de alerta.

Começando a tramitar no dia 23 de março, restarão cerca de dez dias para o debate do texto antes que a lei eleitoral estabeleça limites para o reajuste do funcionalismo. Pelas regras, reajustes com ganho real só podem ser aprovados até 180 dias antes das eleições. Como o primeiro turno de 2026 será em 4 de outubro, qualquer aumento acima da inflação precisa estar publicado até 4 de abril. Depois disso, a lei permite apenas correções limitadas à reposição inflacionária do próprio ano.