Uma perícia técnica aprofundada será realizada pela Polícia Rodoviária Federal para investigar os acidentes considerados “fora da curva” que contribuíram para o aumento expressivo de mortes nas rodovias federais durante o Carnaval 2026. O anúncio foi feito na manhã desta quinta-feira, em Brasília, durante a apresentação do balanço da Operação Carnaval, após o feriado registrar 130 mortes nas estradas, o maior número desde 2020.
Segundo o diretor-geral da PRF, Antônio Fernando Souza Oliveira, muitos dos acidentes não tinham relação direta com deslocamentos para festas carnavalescas. Ele citou ocorrências registradas em São Paulo e no Distrito Federal que aconteceram apenas dentro do recorte temporal da operação. De acordo com a corporação, a perícia vai analisar fatores como a condição dos veículos, possíveis irregularidades e outras circunstâncias técnicas para entender o que provocou o novo cenário.
O diretor destacou que as rodovias federais vêm apresentando melhorias em pavimentação e estrutura, e que, neste momento, não é possível atribuir o aumento das mortes à qualidade da malha viária. O balanço aponta crescimento de 52,9% no número de mortes em relação a 2025, quando foram registradas 85 mortes. O total de acidentes passou de 1.190 para 1.241 ocorrências, alta de 4%. Já os acidentes graves aumentaram 8,5%, enquanto o número de feridos chegou a 1.481 pessoas, elevação de 3%.
Durante a apresentação do balanço, a PRF destacou a ocorrência de acidentes considerados atípicos, com maior número de vítimas do que o registrado normalmente, o que impactou as estatísticas deste ano. Segundo a corporação, foram registrados três acidentes com até 12 vítimas, além de ocorrências com três e quatro mortes — situações que não haviam sido verificadas no Carnaval anterior. De acordo com o diretor, muitos casos envolveram excesso de passageiros e irregularidades nos veículos, levando a PRF a indicar reforço na fiscalização do transporte de passageiros, em atuação conjunta com outros órgãos responsáveis pelas rodovias.
O diretor também atribuiu os números à dificuldade histórica de mudança na cultura do trânsito no país. Ele citou medidas adotadas nos últimos anos, como a demora na ativação de radares e a ampliação do limite de pontos para suspensão da CNH. Segundo ele, essas decisões podem transmitir maior sensação de tolerância aos motoristas.





