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João Monlevade
quarta-feira, junho 17, 2026
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Governo retira urgência de projeto sobre fim da escala 6×1 e libera pauta da Câmara

A retirada do regime de urgência do projeto de lei do governo federal relacionado ao fim da escala de trabalho 6×1 destravou a pauta de votações da Câmara dos Deputados e abriu espaço para a análise de outras propostas consideradas prioritárias pelo presidente da Casa, Hugo Motta.

A proposta havia sido encaminhada pelo Palácio do Planalto em abril, mas não foi votada dentro do prazo previsto. Com isso, passou a impedir a tramitação de diversos projetos, restringindo as deliberações do plenário a propostas específicas, como emendas constitucionais, projetos de decreto legislativo e requerimentos de urgência.

Segundo o governo, a urgência tinha como objetivo pressionar o Congresso a avançar na discussão sobre o fim da jornada 6×1 e acelerar a tramitação da matéria no Senado. A estratégia também buscava aumentar a pressão sobre o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que ainda não encaminhou a proposta para análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

Sem o mecanismo da urgência, o avanço da pauta passa a depender do cronograma definido pelo Senado. A expectativa é que uma reunião de líderes seja realizada para discutir os próximos passos da proposta.

Projetos ganham prioridade antes do recesso

Com a pauta liberada, a Câmara pretende concentrar esforços para votar três projetos considerados estratégicos antes do recesso parlamentar, previsto para começar em julho.

Entre eles está o projeto que regulamenta o uso da Inteligência Artificial no Brasil. O texto, já aprovado pelo Senado em 2024, estabelece regras para o desenvolvimento e utilização da tecnologia, além de criar o Sistema Nacional de Regulação e Governança de Inteligência Artificial.

Outra matéria em discussão é a atualização do limite de faturamento dos Microempreendedores Individuais (MEIs). Atualmente fixado em R$ 81 mil anuais, o teto poderá ser elevado para valores entre R$ 134 mil e R$ 140 mil, conforme proposta em elaboração pelo relator Jorge Goetten. O texto também prevê mudanças nas faixas do Simples Nacional.

Também está na lista de prioridades o projeto que tipifica a misoginia como crime. A proposta inclui a prática entre os crimes de preconceito e discriminação previstos na Lei do Racismo. O parecer da deputada Tabata Amaral define misoginia como atos de violência, restrição de direitos ou ofensas à dignidade da mulher motivados por sua condição feminina.

Calendário reduz ritmo das votações

A próxima semana deverá ter pouca movimentação na Câmara devido às festividades de São João e compromissos relacionados à Copa do Mundo de Futebol. Por isso, líderes partidários articulam um esforço concentrado a partir do fim de junho para concluir a análise das matérias consideradas prioritárias antes do início do recesso parlamentar.

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