Concessão da Via Liberdade prevê quatro pórticos de cobrança em corredor que conecta Belo Horizonte às cidades históricas e à Zona da Mata mineira
Motoristas que utilizam as rodovias entre Ouro Preto, Mariana, Ponte Nova e outras cidades da região histórica de Minas Gerais deverão passar a pagar pedágio nos próximos anos. A cobrança faz parte da concessão Via Liberdade, que administra o principal corredor rodoviário de ligação entre Belo Horizonte, as cidades históricas e a Zona da Mata mineira.
A concessionária responsável pela administração de cerca de 190 quilômetros das rodovias BR-356, MG-262 e MG-329, prevê a instalação de quatro pórticos de cobrança eletrônica no sistema free flow, sem cancelas.
Os equipamentos serão instalados em Itabirito e Ouro Preto, na BR-356, além de Acaiaca, na MG-262, e Ponte Nova, na MG-329. Segundo o projeto, a cobrança começa já no primeiro ano da concessão.
Após o leilão realizado em setembro de 2025, o Consórcio Rota da Liberdade venceu a disputa com deságio de 13,2%, reduzindo a tarifa estimada para automóveis de R$ 5,58 para R$ 4,85 por pórtico.
A concessão contempla municípios como Ouro Preto, Mariana, Acaiaca, Barra Longa, Ponte Nova, Urucânia, Piedade de Ponte Nova e Rio Casca, além de Nova Lima, Rio Acima e Itabirito. O contrato terá duração de 30 anos.
Cobrança antes das principais obras
Um dos pontos que tem provocado questionamentos de lideranças regionais é o fato de a cobrança dos pedágios estar prevista para começar antes da execução das principais intervenções estruturais previstas no contrato.
De acordo com o cronograma oficial, as obras de duplicação da BR-356 somam 78,7 quilômetros e deverão ser executadas entre o terceiro e o sexto ano da concessão. Os trechos contemplam segmentos entre Nova Lima, Itabirito, Ouro Preto e Mariana.
O projeto também prevê a implantação de 40,66 quilômetros de faixas adicionais nas MG-262 e MG-329, construção do contorno de Cachoeira do Campo, em Ouro Preto, instalação de uma área de escape em Itabirito, novas passarelas, melhorias de acessos e pontos de parada de ônibus.
Prefeitos e representantes da região têm manifestado preocupação com o impacto da cobrança para moradores que utilizam as rodovias em deslocamentos cotidianos entre cidades vizinhas. Entre os argumentos apresentados está o fato de parte dos investimentos previstos estar relacionada aos recursos do acordo de reparação pelo rompimento da barragem de Mariana.
Investimentos e geração de empregos
O projeto prevê investimentos estimados em R$ 3,63 bilhões em obras e melhorias ao longo da concessão, além de R$ 1,95 bilhão destinados à operação e manutenção das rodovias.
Segundo o material apresentado pelo governo federal e pelo Governo de Minas Gerais durante o processo de concessão, a expectativa é de geração de mais de 52 mil empregos diretos, indiretos e por efeito de renda ao longo da vigência do contrato.


