As denúncias de violência digital contra mulheres mais que triplicaram em Minas Gerais nos primeiros cinco meses de 2026, segundo dados do Ligue 180, Central de Atendimento à Mulher. Entre janeiro e maio deste ano, foram registradas 1.845 violações no estado, número 206,4% superior ao contabilizado no mesmo período de 2025, quando houve 602 ocorrências.

Com o aumento, Minas Gerais ocupa a terceira posição no ranking nacional, atrás apenas de São Paulo e Rio de Janeiro. Em todo o país, os registros de violência digital recebidos pelo Ligue 180 passaram de 5.795 para 16.725 no comparativo entre os cinco primeiros meses dos dois anos.

Entre as principais formas de violência relatadas estão ameaças, cyberstalking (perseguição virtual), criação de perfis falsos, divulgação não autorizada de imagens íntimas e o uso de Inteligência Artificial para a produção de deep fakes.

De acordo com o Ministério das Mulheres, o termo “violação” corresponde a cada ato de violência informado em uma denúncia. Isso significa que uma única vítima pode relatar mais de uma conduta praticada pelo agressor, o que influencia no volume total dos registros.

Diante de situações de violência digital, a orientação das autoridades é preservar todas as provas. A vítima deve salvar capturas de tela, registrar datas, horários, nomes de usuários e links dos perfis envolvidos antes de bloquear o agressor ou excluir mensagens.

Em casos considerados mais graves, também é recomendada a elaboração de uma ata notarial em cartório, documento que pode contribuir para a validação das provas em eventual processo judicial. Após a coleta dos elementos, a vítima deve registrar um Boletim de Ocorrência.

Dependendo da natureza do caso, o atendimento pode ser realizado em Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher ou em unidades voltadas para a investigação de crimes cibernéticos.

A Polícia Civil de Minas Gerais informou que o crescimento das denúncias pode estar relacionado à maior conscientização da população, ao fortalecimento da rede de proteção e ao aumento da confiança das vítimas em buscar ajuda. A instituição orienta que as mulheres registrem a ocorrência o mais rápido possível, especialmente nos casos em que possam ser solicitadas medidas protetivas previstas na Lei Maria da Penha.

Em situações de flagrante ou risco imediato, a recomendação é acionar a Polícia Militar pelo telefone 190.