
Trecho entre Belo Horizonte e João Monlevade é exemplo dos impactos da infraestrutura rodoviária no custo do transporte
A falta de investimentos em infraestrutura rodoviária continua gerando impactos diretos no transporte de cargas em Minas Gerais. Um dos exemplos apontados pelo presidente da Federação das Empresas de Transporte de Cargas e Logística do Estado de Minas Gerais (FETCEMG), Gladstone Lobato, é justamente o trecho entre Belo Horizonte e João Monlevade, importante corredor logístico utilizado diariamente por empresas que abastecem diversas regiões do estado.
Durante entrevista ao Itatiaia Negócios Cast, Lobato explicou que a deficiência da infraestrutura nas rodovias torna as operações mais caras e menos eficientes, elevando custos que acabam chegando ao consumidor final.
Segundo ele, atualmente são necessárias 43 carretas por dia para atender um cliente no Vale do Aço. Caso todo o trecho entre Belo Horizonte e João Monlevade estivesse duplicado, o mesmo serviço poderia ser realizado com apenas 31 ou 32 veículos.
“São dez carretas a mais, dez motoristas a mais, mais combustível, mais pneus e mais manutenção”, afirmou.
Na avaliação do presidente da FETCEMG, a redução do tempo de deslocamento e o aumento da eficiência operacional proporcionados por uma infraestrutura adequada gerariam benefícios não apenas para as transportadoras, mas também para empresas e consumidores.
O transporte rodoviário é responsável por cerca de 60% da movimentação de cargas no Brasil. Em Minas Gerais, esse percentual ultrapassa 70%, tornando as condições das rodovias fundamentais para a competitividade econômica do estado.
“O transporte é o elo que liga todos os outros setores”, destacou Lobato.
Além do trecho entre Belo Horizonte e João Monlevade, ele também citou as dificuldades enfrentadas no Anel Rodoviário de Belo Horizonte. Segundo o dirigente, um caminhão pode levar entre duas e três horas apenas para atravessar a capital mineira, devido aos congestionamentos, problemas de conservação da via e limitações estruturais.
Para Lobato, os investimentos em infraestrutura rodoviária têm reflexos diretos na produtividade das empresas, na segurança das estradas e na redução dos custos operacionais do transporte de cargas.
Ele também afirmou que o setor não é contrário à cobrança de pedágio, desde que haja retorno efetivo em obras e melhorias para os usuários das rodovias.
“Nós não somos contra pagar pedágio. Somos a favor de pagar um pedágio justo, com estrada duplicada, segurança e boa infraestrutura”, declarou.
Ao ser questionado sobre quem paga a conta da logística ineficiente, Lobato respondeu que o consumidor acaba absorvendo esses custos. Segundo ele, despesas relacionadas ao diesel, manutenção, pneus e peças são incorporadas ao valor do transporte e repercutem no preço dos produtos e serviços.
“Qualquer coisa que você consumir, você vai pagar”, afirmou.
O presidente da FETCEMG ainda defendeu maior integração entre rodovias, ferrovias e portos, além de investimentos que permitam maior eficiência ao setor logístico brasileiro. Durante a entrevista, ele abordou também temas como a qualificação de motoristas, tecnologia embarcada nos caminhões, intermodalidade, concessões rodoviárias e a atuação do SEST SENAT.
Fonte: Itatiaia





