A violência contra as mulheres em Minas Gerais vai além dos casos de feminicídio. Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgados nesta quinta-feira (24), apontam crescimento expressivo em diferentes formas de agressão praticadas contra mulheres no Estado, especialmente nos crimes de violência psicológica e perseguição (stalking).
Os registros de violência psicológica passaram de 3.004 ocorrências para 3.994 em Minas Gerais, representando um aumento de 32,5%. A taxa do crime também cresceu, saltando de 27,6 para 36,6 casos para cada grupo de 100 mil mulheres, configurando um dos maiores avanços percentuais entre os indicadores analisados pelo levantamento.
Já os episódios de stalking — caracterizados pela perseguição reiterada que ameaça a integridade física ou psicológica da vítima e restringe sua liberdade — aumentaram 22,2% no Estado. O número de registros passou de 5.327 para 6.533 ocorrências, elevando a taxa para 59,9 casos a cada 100 mil mulheres.
Em nível nacional, os casos de violência psicológica tiveram crescimento de 16,9%, totalizando 60.830 ocorrências registradas. Os crimes de stalking apresentaram aumento ainda maior, de 30,1%, chegando a 123.871 registros em todo o país.
Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, essas formas de violência frequentemente integram um ciclo contínuo de agressões que pode evoluir para lesões graves e até feminicídios quando não há intervenções adequadas por parte do Estado e da rede de proteção às vítimas.
Os dados evidenciam que, embora os casos de feminicídio permaneçam como uma das faces mais extremas da violência de gênero, outros crimes previstos na legislação brasileira também apresentam crescimento preocupante e demandam atenção das autoridades e da sociedade.






