Entre denúncias de gastos questionáveis e o avanço de projetos culturais, vereadores aprovam moção de repúdio contra secretária de Educação e convocam audiência na Câmara de João Monlevade para debater colapso na mobilidade urbana.

A sessão ordinária da Câmara Municipal de João Monlevade desta quarta-feira (19) foi marcada por debates acalorados e cobranças duras ao Executivo. No centro das discussões no plenário, o agravamento da crise de mobilidade urbana dividiu espaço com denúncias sobre o uso de verbas públicas e um embate político que culminou em uma moção de repúdio aprovada por quase unanimidade.

Colapso na mobilidade e transporte público

O tema que dominou a pauta foi a situação insustentável do trânsito na cidade. Vereadores relataram o caos gerado pelos reflexos das obras de duplicação nos trevos do bairro Sion e Cruzeiro Celeste, na BR-381, que têm gerado engarrafamentos quilométricos. O transporte público operado pela ENSCON foi alvo de duras críticas por superlotação, atrasos crônicos e falhas de comunicação. O vereador Revetrie Teixeira (MDB) encabeçou a convocação de uma Audiência Pública para o dia 3 de setembro, às 18h30, visando debater a crise no setor, recebendo apoio de parlamentares como Alysson Enfermeiro (AVANTE), que relatou cobranças diretas feitas à empresa, e Belmar Diniz (PT).

Outro ponto de forte indignação foi a inoperância do semáforo próximo ao Centro Educacional, quebrado há mais de 20 dias. Parlamentares como Fernando Linhares (PODEMOS), Vanderlei Miranda (PODEMOS) e Marquinho Dornelas (REPUBLICANOS) cobraram soluções urgentes do Setor de Trânsito e Transporte (SETTRAN) e da Prefeitura, destacando o risco diário para pedestres e motoristas e a falta de contratos preventivos de manutenção.

Isolamento do governo e Moção de Repúdio

O clima esquentou no campo político com a aprovação de uma Moção de Repúdio contra a Secretária Municipal de Educação, Alda Ferreira. O estopim foi um ofício enviado pela titular da pasta que, segundo os parlamentares, tentava cercear o direito de fiscalização dos vereadores nas escolas municipais.

A aprovação evidenciou um distanciamento grave entre a Câmara e o Executivo, passando com 14 votos favoráveis. O único voto em defesa da secretária foi da líder do governo, Professora Maria do Sagrado (PT). A postura do Executivo rendeu críticas incisivas na tribuna, com o vereador Sinval da Luzitana (PL) e o Dr. Sidney (PL) questionando a gestão e a falta de diálogo da administração municipal.

Gastos sob suspeita: Caminhonete de luxo e Vacimóvel

O contraste entre a falta de manutenção básica nos semáforos e os gastos da administração gerou questionamentos incisivos. O vereador Thiago Titó (MDB) levou ao plenário a denúncia sobre a contratação de uma caminhonete de luxo, modelo Dodge Ram, pelo valor de quase R$ 9.000 mensais, destinada ao serviço do SETTRAN. A líder do governo, Professora Maria do Sagrado (PT), defendeu a legalidade da licitação, afirmando que a escolha do veículo atendeu a estudos técnicos preliminares sem custos adicionais pelo modelo específico, mas a justificativa não conteve as críticas da oposição quanto às prioridades de gestão.

Na Saúde, o foco das cobranças partiu do vereador Bruno Cabeção (AVANTE) a respeito do uso do Vacimóvel. O veículo, adquirido com verba pública para realizar ações de vacinação volante em bairros periféricos e de difícil acesso (extramuros), estaria sendo utilizado nas dependências de postos de saúde que já possuem salas de imunização estruturadas.

Aprovação de Projetos Comunitários

Apesar das tensões estruturais, a sessão registrou avanços em pautas locais. O projeto de lei do vereador Zuza do Socorro (AVANTE), que institui o “Bolsa Pedágio”, deu mais um passo, estabelecendo diretrizes para isentar ou auxiliar financeiramente moradores da Serra do Egito, Ponte Torta e trabalhadores do Distrito Industrial com as taxas da rodovia.

A tradicional Cavalgada de João Monlevade, pauta defendida pelo vereador Carlinhos Bicalho (PP), também avançou e foi reconhecida como Patrimônio Cultural e Imaterial do município, garantindo maior proteção e fomento ao evento de 33 anos que movimenta o turismo e a economia local.