A situação do prédio da antiga Escola Estadual Santana, no bairro Centro Industrial, será discutida em audiência pública na Câmara Municipal de João Monlevade. O encontro está marcado para o dia 10 de novembro, terça-feira, às 17h30, no plenário da Câmara.

A audiência foi proposta pelo vereador Bruno Cabeção, por meio do Requerimento nº 72/2026, e tem como objetivo discutir as perspectivas e propostas para a destinação do imóvel, fechado desde dezembro de 2016. A iniciativa prevê a participação da comunidade no debate sobre o futuro da edificação, que permanece sem utilização desde o encerramento das atividades escolares.

Na época do fechamento, aproximadamente 200 estudantes foram transferidos para outras unidades de ensino da cidade. Segundo as informações apresentadas no histórico da escola, o Governo de Minas Gerais justificou a decisão pela necessidade de contenção de gastos. Desde então, o prédio passou a apresentar problemas relacionados à falta de conservação, além de registros de vandalismo e abandono.

Uma das possibilidades discutidas anteriormente foi a utilização do espaço para abrigar laboratórios da Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg), no campus de João Monlevade. Entretanto, a proposta não avançou devido aos custos necessários para adaptar a estrutura às atividades acadêmicas. Na ocasião, a Secretaria de Estado de Educação informou que avaliava alternativas para a destinação do imóvel.

Tombamento e preservação histórica

A Escola Estadual Santana foi inaugurada em 14 de abril de 1961 e construída pela então Companhia Siderúrgica Belgo-Mineira. A cerimônia contou com a presença do governador de Minas Gerais na época, José de Magalhães Pinto, além de representantes da empresa, entre eles o diretor da usina, Joseph Hein, e sua esposa, Anne Marie Marguerite Hein. O imóvel possui importância histórica, arquitetônica e cultural para João Monlevade. Em 2022, a Prefeitura publicou o Decreto nº 197/2022, que determinou o tombamento da edificação, com fundamento na Lei Orgânica Municipal e na Lei nº 1.622/2005.

O documento reconhece o valor histórico, arquitetônico, cultural, paisagístico e afetivo do imóvel para a comunidade monlevadense. A proteção também contempla o entorno da construção, incluindo trecho da avenida Santa Cruz e a área de mata existente nas proximidades. O tombamento estabelece a necessidade de preservação do patrimônio, conforme as disposições constitucionais que atribuem ao Poder Público, com a colaboração da comunidade, a responsabilidade de proteger os bens culturais brasileiros.

Com quase dez anos de portas fechadas, a antiga Escola Estadual Santana permanece sem uma destinação definitiva. A audiência pública deverá abrir espaço para a apresentação de propostas e discussão sobre alternativas para o futuro do imóvel. A participação da comunidade poderá contribuir para o debate sobre a preservação e a utilização de um dos espaços que integram a história de João Monlevade.