Cerca de 600 carretas trafegam por dia pela MG-326 - Foto: Henrique Chendes

DER-MG admite que asfaltamento ainda depende de etapas burocráticas

O projeto de pavimentação dos 13 quilômetros da MG-326, que liga o distrito de Fonseca, em Alvinópolis, a Catas Altas, está em fase final de elaboração, mas ainda sem previsão concreta para o início das obras. A informação foi apresentada pelo coordenador regional do Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DER-MG) em Itabira, Marcelo dos Santos Rodrigues.

A declaração ocorreu durante audiência pública da Comissão Interestadual Parlamentar de Estudos para o Desenvolvimento Sustentável da Bacia do Rio Doce (Cipe Rio Doce), realizada na segunda-feira (27), em Catas Altas. O encontro contou com a presença de vereadores, lideranças regionais e do deputado estadual Leleco Pimentel (PT), responsável pelo requerimento da reunião.

Segundo Rodrigues, embora o projeto esteja praticamente concluído e tenha orçamento estimado em R$ 75 milhões, a execução ainda depende de etapas administrativas, como elaboração de edital, termo de referência e processo licitatório. “Não há datas definidas para cada etapa”, afirmou, destacando que o parlamentar encaminhou requerimento solicitando um cronograma detalhado.

O coordenador classificou o empreendimento como um dos mais complexos de sua carreira, especialmente devido ao intenso fluxo de veículos pesados. De acordo com ele, cerca de 600 carretas circulam diariamente pela via, o que exige estudos técnicos mais aprofundados. Uma das propostas é a construção de um contorno fora do distrito para desviar o tráfego pesado.

Comunidade enfrenta dificuldades históricas

A pavimentação da MG-326 é uma demanda antiga da população de Fonseca, aguardada há pelo menos 40 anos. Atualmente, o trecho não asfaltado apresenta condições críticas, principalmente no período chuvoso, quando o deslocamento se torna ainda mais lento e arriscado.

Moradores relatam impactos diretos na rotina. Seis ônibus transportam diariamente trabalhadores para empresas da região, com retorno apenas à noite. Estudantes também enfrentam dificuldades para acessar o ensino superior, sendo obrigados, em muitos casos, a se mudar para outras cidades.

Problemas de saúde também são agravados pela precariedade da estrada. Há relatos de pacientes que não conseguem chegar a tempo a unidades hospitalares em municípios vizinhos, como Santa Bárbara.

O tempo de deslocamento pode dobrar durante o período chuvoso, passando de cerca de 30 minutos para até uma hora. Além disso, o tráfego intenso de caminhões pesados tem causado preocupação entre os moradores, especialmente devido aos impactos estruturais nas residências mais antigas.

Deputado cobra transparência e agilidade

Durante a reunião, o deputado Leleco Pimentel questionou a ausência de informações detalhadas sobre o financiamento da obra. Ele levantou dúvidas sobre a origem dos recursos, citando possíveis fontes como acordos de repactuação relacionados ao desastre de Mariana ou a privatização da Copasa.

O parlamentar também cobrou clareza quanto ao cumprimento de prazos para entrega de projetos executivos e licenças ambientais, demonstrando preocupação com anúncios sem detalhamento técnico. Segundo ele, há desconfiança por parte da população quanto à efetivação da obra.

Ao final, o deputado defendeu a realização imediata do asfaltamento e a manutenção contínua da rodovia, apontando que melhorias recentes ocorreram após a mobilização das autoridades.

Foto: Henrique Chendes – Divulgação