A Central de Atendimento à Mulher — Ligue 180 — registrou mais de 1 milhão de atendimentos em 2025, segundo levantamento do Ministério das Mulheres. Ao todo, foram 1.088.900 chamados ao longo do ano, um aumento de 45% em comparação com 2024, evidenciando a ampliação do acesso ao serviço e a maior procura por apoio.
Em média, o canal realizou cerca de 3 mil atendimentos por dia, abrangendo desde orientações sobre a rede de proteção até denúncias formais de violência. Do total, 155.111 denúncias foram oficializadas, o que representa uma média diária de 425 registros.
Os dados mostram que a maioria dos atendimentos foi feita pelas próprias vítimas, correspondendo a 66,3% dos casos. Denúncias realizadas por terceiros somaram 16,8%, enquanto 16,9% ocorreram de forma anônima. Em uma parcela mínima, equivalente a 0,03%, os registros foram feitos pelo próprio agressor.
Entre os tipos de violência, a psicológica aparece como a mais recorrente, presente em 49,9% das denúncias. Em seguida, está a violência física, com 15,3% dos casos. Outro dado que chama atenção é o crescimento da chamada violência vicária — quando o agressor utiliza filhos ou pessoas próximas para atingir a vítima — que totalizou 7.064 denúncias em 2025.
A tendência de aumento também se mantém em 2026. No primeiro trimestre deste ano, foram registradas 45.735 denúncias, um crescimento de 23% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando houve 37.139 ocorrências. Nesse recorte, a violência vicária já representa 7,77% do total de queixas.
De acordo com a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, o Ligue 180 atua não apenas no recebimento de denúncias, mas também na orientação e encaminhamento das vítimas, com identificação de redes de apoio e serviços mais próximos.
Recentemente, a legislação brasileira avançou ao incluir a violência vicária na Lei Maria da Penha e no Código Penal, ampliando os mecanismos de proteção às mulheres.





