A duplicação da BR-381, conhecida nacionalmente como “Rodovia da Morte”, ganhou mais um capítulo nesta quarta-feira. Em coletiva de imprensa realizada na manhã de hoje, em Belo Horizonte, o ministro dos Transportes, Renan Filho, anunciou que as obras no trecho entre Ravena, em Sabará, e o trevo de Caeté devem começar em março de 2026. No entanto, o anúncio veio acompanhado de ressalvas.
O histórico de atrasos e promessas não cumpridas mantém a desconfiança de moradores, motoristas e caminhoneiros que utilizam a rodovia diariamente. Enquanto isso, o trecho entre o Anel Rodoviário de Belo Horizonte e Ravena segue sem data definida. Segundo o ministro, as intervenções dependem da conclusão das desapropriações. Ao todo, cerca de 800 famílias vivem às margens da pista.
A expectativa, portanto, é que as obras nesse segmento só comecem no final do primeiro semestre de 2026. Renan Filho esteve na capital mineira para lançar a caravana “Na Boleia do Brasil”. O projeto do Ministério dos Transportes percorre rodovias estratégicas do país. O objetivo é vistoriar trechos críticos, anunciar investimentos e dialogar com gestores locais. Belo Horizonte foi a primeira parada da iniciativa. Ainda nesta semana, a caravana passa por outras cidades de Minas Gerais.
Depois, segue para o Rio de Janeiro e São Paulo. Durante a coletiva, o ministro detalhou o cronograma da BR-381. Além disso, afirmou que o governo federal tenta destravar uma obra que se tornou símbolo do atraso em infraestrutura rodoviária no estado. A duplicação da BR-381 é chamada de “novela” porque atravessa décadas de anúncios e prazos frustrados. Desde os anos 2000, diferentes governos prometeram intervenções no trecho entre Belo Horizonte e Governador Valadares.
Ainda assim, a obra nunca avançou de forma consistente. Além disso, o trecho concentra curvas sinuosas, tráfego pesado e alto índice de acidentes. Por isso, é considerado um dos mais perigosos do país. No fim de 2024, a BR-381 foi concedida à iniciativa privada. A rodovia passou à gestão da concessionária Nova 381, responsável pelos trechos fora da Região Metropolitana de Belo Horizonte. Por outro lado, os segmentos urbanos e mais complexos ficaram sob responsabilidade do DNIT – Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes.
