Equatorial assume posição de investidor de referência, Perfin amplia participação para mais de 20% e governo mantém ação especial com poder de veto
A Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) concluiu oficialmente nesta terça-feira (16) seu processo de privatização, em uma operação que movimentou R$ 8,38 bilhões e marcou uma nova fase na gestão da empresa. A cerimônia de liquidação das ações foi realizada na Bolsa de Valores de São Paulo (B3), consolidando a venda de 45% dos 50,03% que pertenciam ao Governo de Minas Gerais.
O principal comprador foi o Grupo Equatorial, que adquiriu 30% das ações da companhia e passou a ocupar a posição de investidor de referência. Os outros 15% foram distribuídos entre investidores institucionais, investidores de varejo e fundos de investimento.
Segundo o governador Mateus Simões (PSD), cerca de 40% dessa parcela negociada foi adquirida por investidores estrangeiros, demonstrando o interesse internacional pelo ativo mineiro. Do total vendido ao mercado, investidores institucionais ficaram com 10,5% do capital social da empresa, em uma operação de aproximadamente R$ 1,96 bilhão, enquanto investidores de varejo adquiriram 4,5%, movimentando cerca de R$ 838,9 milhões.
Os recursos arrecadados com a privatização serão destinados integralmente à redução da dívida de Minas Gerais com a União, dentro das regras do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag).
Perfin amplia participação e chega a 20,11%
Entre os destaques da nova composição acionária está a gestora Perfin, que já possuía participação na Copasa e ampliou sua posição durante o processo. A empresa adquiriu mais 1.077.500 ações ordinárias, alcançando 48,5 milhões de papéis e passando a deter 20,11% do capital da companhia.
Em comunicado enviado ao mercado, a Perfin afirmou que a aquisição possui caráter exclusivamente financeiro e não tem como objetivo alterar o controle acionário da empresa.
Estado mantém poder de veto
Mesmo após a privatização, o Governo de Minas preservou uma participação de 5% por meio da chamada golden share, ação especial que garante poder de veto em decisões consideradas estratégicas para a companhia.
De acordo com Mateus Simões, o mecanismo será utilizado apenas em situações que envolvam o interesse público e a proteção dos consumidores mineiros.
Equatorial promete ampliar investimentos
Durante a cerimônia de conclusão da operação, o CEO do Grupo Equatorial, Augusto Miranda da Paz, afirmou que a companhia pretende acelerar os investimentos na modernização da Copasa e contribuir para o avanço das metas de universalização dos serviços de água e esgoto em Minas Gerais.
Segundo o executivo, a aquisição representa um compromisso de longo prazo com o estado e com a melhoria da qualidade dos serviços prestados à população.
A Equatorial também destacou que a operação conta com segurança jurídica, considerando que os contratos de concessão da Copasa possuem prazo médio de 28 anos. A empresa permanecerá impedida de vender sua participação de 30% até junho de 2030, conforme regras de lock-up estabelecidas na negociação.
Outro ponto ressaltado pela companhia foi o acordo firmado entre a Copasa, a Associação Mineira de Municípios (AMM) e o Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG), que prevê a ampliação dos serviços de esgotamento sanitário em 273 municípios mineiros.
A privatização da Copasa foi aprovada pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) em 2025 e integra as medidas adotadas pelo Estado para viabilizar a adesão ao Propag.


