STF vive clima de tensão interna com debate sobre destino do Caso Master

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O Supremo Tribunal Federal enfrenta um clima de tensão interna em torno da investigação conhecida como Caso Master, que apura suspeitas de fraudes envolvendo o Banco Master. Relator do processo, o ministro Dias Toffoli já admite a possibilidade de devolver o caso à primeira instância da Justiça Federal, caso fique comprovado que não há envolvimento de autoridades com foro privilegiado. A sinalização ocorre após um mal-estar entre ministros do STF e críticas à condução do inquérito.

O processo chegou ao Supremo após a citação do nome de um deputado federal em documentos apreendidos durante as investigações, o que justificou, naquele momento, a competência da Corte. No entanto, integrantes do tribunal avaliam que, se essa ligação não se sustentar, o caso não deve continuar no STF. Nos bastidores, parte dos ministros defende que o envio da investigação para a primeira instância seria uma forma de reduzir o desgaste institucional e preservar a imagem do Supremo.

A condução do caso por Toffoli vem sendo questionada por membros da Polícia Federal e por setores do Judiciário, principalmente devido ao sigilo imposto ao processo e a decisões que teriam limitado o acesso dos investigadores a provas. Diante das críticas, o presidente do STF, ministro Edson Fachin, saiu em defesa da Corte e do relator. Em nota, Fachin afirmou que o Supremo atua dentro da Constituição e que não se curva a pressões ou intimidações, reforçando a importância do devido processo legal.

Enquanto o impasse não é resolvido, Toffoli determinou a continuidade das investigações e marcou novos depoimentos para os dias 26 e 27 de janeiro. Após essa etapa, o ministro deve decidir se mantém o caso no STF ou se envia o processo de volta à primeira instância. O desfecho do Caso Master é acompanhado de perto por autoridades e pelo meio jurídico, já que pode estabelecer novos parâmetros sobre a atuação do Supremo em investigações criminais de grande repercussão.