Marcos Santos/ USP Imagens

O Tesouro Nacional informou nesta quarta-feira (26) que a Dívida Pública Federal (DPF) cresceu 0,22% em julho, atingindo o patamar de R$ 9,288 trilhões. O aumento foi impulsionado pela incidência de juros sobre o estoque, que superou o volume de resgates de títulos no período, mantendo o endividamento dentro das metas previstas pelo governo federal.

Em junho, o indicador já havia superado a marca histórica de R$ 9 trilhões. De acordo com o Plano Anual de Financiamento (PAF), revisado nesta quarta-feira, a expectativa é que a dívida encerre o ano de 2026 em um intervalo entre R$ 9,7 trilhões e R$ 10,3 trilhões.

Dívida interna e externa

A Dívida Pública Mobiliária Federal interna (DPMFi) avançou 0,31%, totalizando R$ 8,948 trilhões. Embora o Tesouro tenha resgatado R$ 61,91 bilhões a mais do que emitiu em títulos, a apropriação de R$ 89,95 bilhões em juros impediu a redução do estoque. Com a taxa Selic em patamares elevados, o custo do endividamento permanece sob pressão.

Por outro lado, a dívida externa apresentou queda de 2,12%, fechando o mês em R$ 340,06 bilhões. O recuo foi motivado principalmente pela desvalorização de 1,92% do dólar frente ao real no período, o que reduz o valor do estoque convertido em moeda nacional.

Reserva financeira e prazos

O chamado “colchão” da dívida pública, reserva financeira usada para momentos de turbulência, subiu pelo quarto mês consecutivo. O montante atingiu R$ 1,346 trilhão, o maior nível da série histórica iniciada em 2015. Atualmente, essa reserva é suficiente para cobrir 7,81 meses de vencimentos de títulos federais.

O prazo médio para o refinanciamento da dívida também apresentou melhora, passando de 4,01 para 4,05 anos. Prazos mais longos são vistos positivamente pelo mercado, pois indicam maior confiança dos investidores na capacidade de pagamento do Estado brasileiro a longo prazo.

Composição e investidores

Com o vencimento de títulos prefixados, a composição da dívida sofreu alterações. Os títulos vinculados à Selic agora representam 51,11% do total, seguidos pelos papéis corrigidos pela inflação (26,02%). Os títulos prefixados caíram para 19,22% do estoque.

As instituições financeiras seguem como os principais detentores da dívida interna, com 31,35% do estoque. Na sequência aparecem os fundos de pensão (22,73%) e os fundos de investimentos (22,23%). A participação de investidores estrangeiros teve uma leve queda, fechando o mês em 9,82% em meio à maior volatilidade no cenário internacional.