O ferro-gusa produzido em Minas Gerais ficou de fora das novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, trazendo alívio para um dos principais setores exportadores do Estado. A decisão permite que as usinas mineiras retomem as negociações com clientes norte-americanos, interrompidas desde o início de junho, quando foram anunciadas as propostas de sobretaxação.
O produto já havia sido excluído da sobretaxa de 25% aplicada pelos EUA a mercadorias brasileiras desde a última quarta-feira (22), sob a alegação de práticas comerciais consideradas prejudiciais ao mercado norte-americano. Nesta sexta-feira (24), o ferro-gusa também foi poupado da tarifa adicional de 12,5% sobre produtos importados do Brasil, relacionada ao combate ao trabalho forçado.
Caso fosse incluído nas duas medidas, o setor enfrentaria uma sobretaxa acumulada de 37,5%, cenário que poderia levar à paralisação de mais da metade das usinas brasileiras, segundo estimativas do Sindicato da Indústria do Ferro no Estado de Minas Gerais (Sindifer-MG). Minas Gerais concentra a maior parte da produção nacional do produto, tendo os Estados Unidos como principal mercado consumidor.
Mesmo a incidência de apenas uma das tarifas poderia afetar significativamente a competitividade do produto mineiro. A sobretaxa de 25% é exclusiva para itens brasileiros, enquanto a tarifa de 12,5% também atinge outros países, mas não contempla concorrentes como a Ucrânia, que continua exportando ferro-gusa para os Estados Unidos apesar dos impactos provocados pela guerra com a Rússia.
Com a isenção, o ferro-gusa brasileiro permanece em condições semelhantes às do produto ucraniano no mercado norte-americano. Antes das novas medidas, ambos estavam sujeitos a uma tarifa global de 10%, que expirou na quinta-feira (23).
Segundo o presidente do Sindifer-MG, Fausto Varela, o setor possui papel relevante para a economia mineira. Em 2025, a atividade gerou aproximadamente US$ 1,2 bilhão em divisas para Minas Gerais, além de cerca de 10,5 mil empregos diretos e quase 50 mil indiretos.
Além dos impactos para Minas Gerais, o dirigente destaca que a economia norte-americana também depende das importações brasileiras. Atualmente, a produção interna dos Estados Unidos atende entre 6% e 7% da demanda local por ferro-gusa, enquanto o Brasil responde, em média, por 60% das importações do produto realizadas pelo país.
Negociações devem ser retomadas
Com o afastamento do risco tarifário, as usinas mineiras esperam normalizar rapidamente as negociações com clientes norte-americanos. Embora as entregas previamente contratadas tenham sido mantidas, novas tratativas comerciais estavam suspensas desde o início de junho, quando o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) apresentou as propostas das sobretaxas.
A expectativa do setor é minimizar os impactos provocados pela paralisação temporária das negociações e recuperar o ritmo das exportações até o fim de 2026. O sindicato ainda não divulgou projeções para o restante do ano, mas avalia que os próximos dois ou três meses serão determinantes para medir os reflexos da decisão sobre o mercado.
No primeiro semestre deste ano, Minas Gerais exportou 1,2 milhão de toneladas de ferro-gusa, volume 3,5% inferior ao registrado no mesmo período de 2025. As exportações destinadas aos Estados Unidos somaram 998,5 mil toneladas, uma queda de 10,9%. Já a produção mineira alcançou 1,7 milhão de toneladas, representando retração de 7,1% na comparação anual.






