Entrada da Delegacia Regional da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), em Itabira, durante visita técnica do SINDPOL-MG que apontou falta de efetivo, problemas estruturais e desvio de função de investigadores.
Entrada da Delegacia Regional da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), em Itabira, durante visita técnica do SINDPOL-MG que apontou falta de efetivo, problemas estruturais e desvio de função de investigadores. Foto: Arnon Germano

Uma visita técnica realizada pelo Sindicato dos Servidores da Polícia Civil do Estado de Minas Gerais (SINDPOL-MG) à Delegacia Regional de Itabira identificou uma série de problemas relacionados ao efetivo, à infraestrutura e às condições de trabalho dos policiais civis. Segundo a entidade, a situação observada na unidade não é um caso isolado e reflete dificuldades enfrentadas em delegacias de diferentes regiões de Minas Gerais.

De acordo com o sindicato, um dos principais problemas constatados é a falta de servidores. A escassez de profissionais tem provocado sobrecarga entre os policiais que permanecem em atividade, impactando diretamente a capacidade operacional das unidades, especialmente na condução de investigações criminais e no atendimento à população.

Além do déficit de efetivo, o SINDPOL-MG informou ter identificado condições precárias nas estruturas físicas da delegacia, incluindo a necessidade de manutenção predial. Conforme a entidade, a combinação entre limitações estruturais e falta de recursos compromete o desempenho das atividades e as condições de segurança dos servidores.

Investigadores estariam em desvio de função

Outro ponto destacado pelo sindicato foi o suposto desvio de função envolvendo investigadores da Polícia Civil. Segundo o relato, esses profissionais estariam sendo empregados de forma recorrente em escoltas de presos, atividade que, conforme a legislação vigente, é atribuída à Polícia Penal. Para a entidade, a prática reduz a disponibilidade dos investigadores para a elucidação de crimes e diminui a capacidade de resposta das delegacias.

Em nota, o SINDPOL-MG afirmou que, apesar das dificuldades, os serviços continuam sendo prestados graças ao comprometimento dos policiais civis. O sindicato também defende que a dedicação dos servidores não deve substituir investimentos estruturais e de pessoal por parte do Estado.

Entre as reivindicações apresentadas ao Governo de Minas Gerais estão a recomposição urgente do efetivo por meio de concursos públicos e contratações, investimentos na modernização e manutenção das delegacias, a eliminação de situações de desvio de função e a garantia de condições adequadas para o exercício das atividades policiais.

O sindicato informou ainda que dará continuidade ao cronograma de visitas técnicas em unidades da Polícia Civil em todo o estado. A proposta, segundo a entidade, é ouvir os servidores, catalogar demandas e encaminhar formalmente as reivindicações e denúncias aos órgãos competentes.

Para o SINDPOL-MG, o fortalecimento da segurança pública em Minas Gerais passa pela valorização dos profissionais da Polícia Civil e pela melhoria das estruturas destinadas à investigação criminal.

PCMG esclarece que mantém operações regulares, e acompanha continuamente as condições das unidades policiais

Procurada pelo AT3 Notícias, a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) informou que a Delegacia Regional de Itabira mantém regularmente as atividades de polícia judiciária e investigação criminal, assegurando o atendimento à população e a apuração das infrações penais em toda a sua área de abrangência. A instituição acrescentou que, recentemente, investigadores e escrivães foram designados para atuar no âmbito do 12º Departamento de Polícia Civil.

Em relação ao efetivo, a corporação afirmou que a distribuição de servidores segue o planejamento institucional, podendo ser ajustada de acordo com as demandas e prioridades da segurança pública. A PCMG também informou que acompanha continuamente as condições das instalações das unidades policiais, realizando as intervenções necessárias para garantir condições adequadas ao desempenho das atividades.

Por fim, a instituição declarou que respeita a atuação das entidades representativas e reiterou seu compromisso com a eficiência, a legalidade e a transparência.