A sequência de terremotos de grande magnitude registrados na América do Sul nos últimos meses voltou a levantar dúvidas sobre a possibilidade de o Brasil ser atingido por um tremor de grandes proporções.
Em 24 de junho, a Venezuela foi atingida por dois terremotos, de magnitudes 7,2 e 7,5. O número de mortos chegou a 2.954, segundo balanço divulgado pelo governo venezuelano em julho.
Na segunda-feira (10), a Colômbia registrou um terremoto de magnitude 7,4. O tremor provocou destruição em diferentes áreas do país e o número de mortos já ultrapassou 250, segundo informações divulgadas nesta quarta-feira (12).
Diante dos dois episódios, surge a pergunta: o Brasil corre risco de sofrer um terremoto de grande escala?
Segundo especialistas, a possibilidade de um terremoto destrutivo no Brasil é considerada baixa, mas o país não está livre de atividade sísmica. Tremores ocorrem regularmente em território brasileiro, embora, na maioria dos casos, tenham baixa magnitude e não provoquem danos significativos.
Por que o Brasil registra menos terremotos?
O Brasil está localizado no interior da Placa Sul-Americana, distante das principais zonas de encontro entre placas tectônicas. Essa posição reduz a ocorrência de grandes terremotos em comparação com países localizados nas bordas das placas.
Colômbia e Venezuela, por exemplo, estão em uma região de maior atividade tectônica, próxima ao contato entre diferentes placas. É nessas áreas que ocorre grande parte dos terremotos de maior magnitude registrados no continente.
Isso não significa, porém, que o território brasileiro seja geologicamente inerte. As pressões exercidas sobre a Placa Sul-Americana podem reativar antigas falhas geológicas existentes no interior do país, provocando tremores.
Qual foi o maior terremoto registrado no Brasil?
O maior terremoto instrumentalmente registrado no território brasileiro ocorreu em 31 de janeiro de 1955, na Serra do Tombador, no Mato Grosso, e atingiu magnitude 6,2.
Apesar da magnitude considerada elevada para os padrões brasileiros, o tremor não provocou grandes danos porque ocorreu em uma região pouco habitada. O episódio é considerado o maior terremoto registrado no interior continental estável da Placa Sul-Americana.
Há ainda registros de outros eventos relevantes. Em 1955, um terremoto de magnitude 6,1 ocorreu no mar, na costa do Espírito Santo. Já em 2003, um evento de magnitude 7,1 foi registrado em área da Amazônia, mas a grande profundidade do tremor fez com que seus efeitos fossem pouco percebidos nas cidades próximas.
Quais regiões do Brasil registram mais tremores?
A atividade sísmica não é distribuída de maneira uniforme pelo país. Registros apontam maior frequência de tremores em áreas como Minas Gerais, Rio Grande do Norte e Ceará, além de partes do Centro-Oeste e da região amazônica.
Minas Gerais possui diversas áreas com registros de atividade sísmica. O Nordeste também apresenta zonas de ocorrência recorrente, especialmente por causa de falhas geológicas ativas.
Apesar disso, a ocorrência de tremores no Brasil não significa que o país esteja sujeito aos mesmos níveis de risco observados em regiões localizadas nas bordas das placas tectônicas.
Tremores no Brasil podem ser sentidos após terremotos em países vizinhos?
Sim. Um terremoto de grande magnitude ocorrido em outro país pode ser percebido a centenas ou até milhares de quilômetros de distância, dependendo da profundidade e das características do evento.
Foi o que ocorreu após o terremoto de magnitude 7,4 na Colômbia. Os efeitos do tremor foram sentidos em diferentes pontos da América do Sul, inclusive no Brasil.
Especialistas destacam, entretanto, que sentir um tremor provocado por um terremoto distante não significa que o Brasil esteja passando a integrar uma zona de terremotos de grande magnitude.
Brasil está livre de um grande terremoto?
Não é possível afirmar que o país esteja completamente livre da possibilidade de um terremoto forte. O que os dados científicos indicam é que eventos de grande magnitude são muito menos frequentes no território brasileiro do que nas regiões localizadas nos limites das placas tectônicas.
A posição geológica do Brasil reduz consideravelmente o risco, mas não elimina a possibilidade de ocorrência de terremotos. A existência de falhas geológicas e a atividade sísmica intraplaca fazem com que tremores continuem sendo registrados no país.
Por isso, especialistas destacam a importância do monitoramento sísmico e da adoção de critérios de segurança na construção de edificações, especialmente nas regiões onde a atividade sísmica é mais frequente.






